15/10/2012

Do alto do meu sofá contemplo a juventude.



Do alto do meu sofá contemplo a juventude.
Tão simples, tão feliz, tão livre.

Do alto do meu olhar contemplo a juventude.
Tão irreal, tão mística, tão presa.

Cedo à ingenuidade e admiro todos pelo que mostram. Rotulo-os conforme o que aparentam. Sorrisos e gargalhadas, que, porém, escondem o pudor da rejeição. Insegurança e medo são camuflados entre goles e passas de um qualquer maleficio que por aí ande, na ribalta.
Os livros, os filmes, a música inspiradora, a busca pelo conhecimento empírico, histórico ou não, são trocados por boatos infundados, por escândalos evitáveis, pela desgraça alheia. Sim, porque os jovens que retrato têm mais interesse pelo ostracizado, do que por si - ele é que é mau, ele é que erra, ele é que… Julgam, criticam, chegam ao ponto de “solucionar” os problemas do vitimizado. No que toca ao vizinho, não se “inibem” em ajudar, perdem tanto tempo a olhar para o lado que se esquecem de direcionar a cabeça para a frente. Deram tanta relevância a algo tão menor que pisaram as oportunidades de sucesso que lhes foram apresentadas, quase oferecidas. Aqui é quando os papeis se alteram, a personagem é só uma, a ação é que é paradoxal, a vítima e o vilão são a mesma pessoa.
Por entre todo o fumo que este grupo de pares lança, eu não perco o rumo, nem me afogo na quantidade de álcool que eles entornam sob si. Eu sento-me no meu sofá e, para não me aborrecer, fecho os olhos e contemplo esta linda juventude: tão simples, tão feliz, tão livre.