- Oh Zé! Acorda que já são horas!
Acordei
sobressaltado com a voz da minha Marília. Hoje é domingo, vamos com a família
ao cais. O programa é sempre o do costume: o meu cunhado que tem tudo do bom e
do melhor, isto é, segundo ele, leva o fogareiro XY144/2, o melhor do mercado,
mas que faz tanto fumo como qualquer outro. A Juzinha exibe sempre umas madeixas diferentes a cada
encontro, cada vez mais irreverentes, feitas pela detestável cabeleireira.
Pois, pouco disto eu sei, mas continuo sem perceber porque ela lá continua a ir
se tão mal diz dela… MULHERES! O marido dela, o Fredo, é um ponto. A vida com
ele é uma comédia. Vamos muitos para a beira-rio, perto de vinte pessoas. É uma
correria e algazarra feliz! Crianças a correr atrás de bolas e adultos da
melhor conversa, ou coscuvilhice, entre secções. Eu prefiro sempre a zona do
grelhador, não só comida está perto, mas, também, o pessoal divertido
encontra-se lá!
A Marília
está na cozinha, quando me levanto. Aquele odor maravilhoso, as costeletas
panadas pela minha mulher são fantásticas, toda a gente as aprecia. Eu sei que
sou suspeito, mas da mesma maneira que aquela senhora moldou de forma exímia a
minha vida, qualquer parte em que aquelas suaves mãos toquem algo, semelhantemente,
espectacular acontece.
Após as
devidas preparações, saímos de casa no meu prodigioso carro. Chegamos um pouco
atrasados, o assador já funciona e as crianças já mergulharam no rio. Nesse
momento, vejo o meu sobrinho a acenar-me para ir ter com ele à água. Tirei a
camisola e mergulhei.
-Oh Zé! Acorda que já são horas!
Acordo
sobressaltado com a voz da minha patroa. Hoje é domingo e o restaurante está
cheio.
Estava a ter
um sonho fantástico. Sonhei com Marília que costuma vir cá, por quem suspiro.
Vejo e estudo os comportamentos das famílias numerosas, as típicas cunhadas e
cunhados, como a Juzinha e o Fredo.
As costeletas
que cheirava no meu sonho eram, provavelmente, as que se servem no restaurante.
Além, na mesa longa no fim da sala, vejo o meu “sobrinho” acenar. Quando lhe pergunto o que
deseja, também mergulho. O rapaz atira-me com a bebida do seu copo.
Perante uma vida miserável, não faz mal sonhar, pois
não?