09/04/2013

Diagnósticos

Sou doente. Nunca fui de me queixar, mas já não posso esconder mais quando está clarividente.
Tudo começou com umas dores de barriga infindáveis, que me faziam contorcer, suar, às vezes, confesso, chorava por não as controlar. Embora tudo o que é mau tem o fim, as minhas dores simplesmente atenuavam, não sumiam. Por exemplo, quando estava sozinha, talvez no meu quarto, o sofrimento acalmava imenso, mas quase de imediato apareciam-me as alucinações. Não sou propriamente supersticiosa, nem nada que se pareça, mas creio que o que me acontecia era obra do além. Estas visões que me perseguiam eram bastante frequentes, abalando a minha concentração nos mais diversos momentos do dia. Para aumentar o meu constrangimento, já não bastasse estar a ficar doida, após estas alucinações sentia-me envergonhada, como se que aquilo que estivesse a processar na minha cabeça, fosse visível a todos e, por muito que me agradasse não seria bom ser do conhecimento público.
Após todos estes sintomas, comecei a pensar que talvez sofresse de uma enfermidade de foro psicológico. As minhas expectativas acabaram por se confirmar. Pouco tempo mais tarde, vir-me-ia a sentir bipolar. Para mim, tudo se tratava de segundos. Num segundo estava incrivelmente contente, porque a vida era incrível, o Sol estava no ar e o coração bombeava o meu sangue a uma velocidade estonteante, era a rainha e senhora da felicidade. No segundo seguinte já a chuva sobrevoava a minha testa, relâmpagos em cima dos meus olhos o coração parava por momentos. Suspeitei de problemas cardíacos.
O meu estado começava a tornar-se problemático e, para tornar tudo um pouco pior, comecei a sentir calafrios, arrepios nas costas que se ramificavam até aos braços. Não me sentia febril, pelo contrário, estava frenética, queria pular, rebolar, ou simplesmente sorrir. Para este último não encontrei no meu atlas caseiro de medicina resposta. Cheguei a pensar que se calhar consumi, inesperadamente, alguma droga – seria a única explicação para sensações tão aleatórias e de tal euforia. Resolvi, então, contactar profissionais na área. Não me encontraram qualquer anomalia, estava até com os níveis muito equilibrados.
Com uma boa dose de comédias românticas, romances e uma pitada de música lamechas, apercebi-me de que padecia realmente. Os ciúmes, a ansiedade, as saudades e tantas outras coisas são a justificação para a minha condição. Todavia, que não se pense que errei completamente nos meus prognósticos, afinal, eram mesmo problemas de coração! Sou doente, doente crónica. Sofro da mais bela e arrasadora enfermidade do mundo, sofro de amor! 

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