Sou doente. Nunca fui de me queixar, mas já
não posso esconder mais quando está clarividente.
Tudo começou com umas dores de barriga
infindáveis, que me faziam contorcer, suar, às vezes, confesso, chorava por não
as controlar. Embora tudo o que é mau tem o fim, as minhas dores simplesmente
atenuavam, não sumiam. Por exemplo, quando estava sozinha, talvez no meu
quarto, o sofrimento acalmava imenso, mas quase de imediato apareciam-me as alucinações.
Não sou propriamente supersticiosa, nem nada que se pareça, mas creio que o que
me acontecia era obra do além. Estas visões que me perseguiam eram bastante
frequentes, abalando a minha concentração nos mais diversos momentos do dia.
Para aumentar o meu constrangimento, já não bastasse estar a ficar doida, após
estas alucinações sentia-me envergonhada, como se que aquilo que estivesse a
processar na minha cabeça, fosse visível a todos e, por muito que me agradasse
não seria bom ser do conhecimento público.
Após todos estes sintomas, comecei a pensar que
talvez sofresse de uma enfermidade de foro psicológico. As minhas expectativas
acabaram por se confirmar. Pouco tempo mais tarde, vir-me-ia a sentir bipolar.
Para mim, tudo se tratava de segundos. Num segundo estava incrivelmente
contente, porque a vida era incrível, o Sol estava no ar e o coração bombeava o
meu sangue a uma velocidade estonteante, era a rainha e senhora da felicidade.
No segundo seguinte já a chuva sobrevoava a minha testa, relâmpagos em cima dos
meus olhos o coração parava por momentos. Suspeitei de problemas cardíacos.
O meu estado começava a tornar-se problemático e,
para tornar tudo um pouco pior, comecei a sentir calafrios, arrepios nas costas
que se ramificavam até aos braços. Não me sentia febril, pelo contrário, estava
frenética, queria pular, rebolar, ou simplesmente sorrir. Para este último não
encontrei no meu atlas caseiro de medicina resposta. Cheguei a pensar que se
calhar consumi, inesperadamente, alguma droga – seria a única explicação para
sensações tão aleatórias e de tal euforia. Resolvi, então, contactar
profissionais na área. Não me encontraram qualquer anomalia, estava até com os
níveis muito equilibrados.
Com uma boa dose de comédias românticas, romances
e uma pitada de música lamechas, apercebi-me de que padecia realmente. Os
ciúmes, a ansiedade, as saudades e tantas outras coisas são a justificação para
a minha condição. Todavia, que não se pense que errei completamente nos meus
prognósticos, afinal, eram mesmo problemas de coração! Sou doente, doente
crónica. Sofro da mais bela e arrasadora enfermidade do mundo, sofro de amor!
Sem comentários:
Enviar um comentário