05/09/2012

Poiso da minha felicidade



Procuro o poiso da minha felicidade.
Vasculhei todas as gavetas do meu armário: entre lingerie, roupa casual, lenços e meias, nada encontrei senão desilusão. Investiguei em livros e, nada encontrei, senão um grande aborrecimento. Na televisão, entre tanta sujidade de temas, não consegui encontrar as coordenadas do que busco.
Liguei o motor de procura do meu coração e ele levou-me até ti. Nesse mesmo instante, uma lâmpada acendeu-se sobre mim, um martelo foi-me projetado na cabeça, um relâmpago no meu crânio… Eureca! Regressei onde devia ter começado, o meu GPS interior levou-me às memórias, onde tu és protagonista.
Por entre o nevoeiro, descobri uma luz nesta nostalgia, descobri um sorriso na tua pessoa. Após as buscas incessantes, senti a alegria nos teus braços, quando as tuas mãos se soltavam das minhas, me abraçavas e percorrias o meu corpo com elas. Mais motivos para sorrir achei quando recordei as tuas palavras de carinho, no momento em que já tínhamos fechado os olhos ao mundo grotesco em que vivemos. Agora por entre o silêncio do ambiente, sigo rumo à tua respiração; aproveito cada momento, por respeito a ti e à tua genuinidade divinal, digna de voos superiores, ainda assim voo nas tuas asas e alcanço a felicidade, reconheço-a e homenageio-a nos teus lábios.         
Onde estás tu agora, poiso da minha felicidade?


A Cada Canto



A cada canto,
A cada rua,
A cada odor sentido
A cada ruído ou gesto realizado:
Algo nasce,
Algo cresce,
Algo morre.
Furacões passam em redemoinho
A chuva cai,
O Sol aparece e desaparece,
Ovos estalam, chaleiras gritam, poeiras se levantam, o mundo gira, a noite passa, o dia cresce, o tempo foge, as folhas caiem, as folhas voltam, o rio corre, o rio seca.

                                               Mas passe o que passar, as minhas palavras são sempre para ti.

Sujei Uma Folha



Faço tentativas, em vão, de preencher esta página vazia.
Estou a sujar a brancura desta página com vocábulos incertos, duma inofensividade medonha. Palavras que entram de mansinho, sem levantar qualquer tipo de poeira nesta folha branca, aparentemente pacíficas. Até que ponto sou cruel ao manchar toda esta brancura celestial, com as minhas mãos sujas, por terras que remexi ingenuamente? Peguei nesses pedaços de solo e coloquei-os sobre a minha mão, observei-os, toquei-lhes, sorri-lhes, como uma criança.
Enquanto passeava o meu sorriso, nesta noite estrelada e quente de Verão, não reparei no que trazia nas mãos. Algo pequeno, talvez um bicho mordera-me, enquanto vivia iludida, cobrindo os meus dedos de terra fresca.
Agora estou aqui, apercebi-me de como nada aconteceu ao animal, nem à terra. Sujei esta folha, com as minhas mãos, sem querer.  Emporcalhei esta página com as minhas mãos sujas, cobertas de lixo, quebrei para sempre a sua brancura divina, acabei com tudo o que ela tinha, e, sem me aperceber, fiquei com um veneno dentro de mim, à primeira vista inofensivo, mas também eu era inofensiva… e manchei esta folha.

LU? Quem?

Falar de mim, é obrigatoriamente falar do meu nome que é tão ou mais peculiar que eu: chamo-me Alice Luísa e tenho 15 anos .
Descrever-me é assustador. Considero-me um misto de dois pólos muito distantes, pois encontro em mim o gosto pela cultura e pela música clássica, assim como não desminto a ninguém o meu amor ferrenho pelo Futebol Clube do Porto, nem dispenso um serão sentada no sofá com os homens, a reclamar a arbitragem.
Esta espécie de bipolaridade dá-me liberdade e ousadia para não temer preconceitos e acreditar que quem vê caras não vê corações.  Creio que, quem me quiser conhecer, poderá ter uma surpresa por detrás das marcas da adolescência na minha face e da roupa que uso. Jamais os meus sapatos vermelhos e o meu cabelo dirão quem sou. Influenciada um pouco pela música que ouço e chocada pelo planeta em que vivo, acredito que o mundo pode ser um sítio pacífico onde o respeito manda.
Sou, portanto, uma simples jovem sonhadora, que a inexperiência impede o total conhecimento próprio, mas que aspira por este e por sucesso em todas as aventuras que se proponha.