08/09/2012

“Arre, estou farto de semideuses! Onde há gente no mundo?”



Sempre que entro numa sala cheia de desconhecidos, num estabelecimento público cultural, parece que penetro numa espécie de consílio dos deuses.
Quando me encontro em espaços como o anteriormente descrito, toda as pessoas parecem irrepreensíveis. Ninguém cheira mal, ninguém veste mal, ninguém espirra, cabelos parecem intocáveis, não mexem um milímetro, roupa sem um vinco, nada está fora do sítio façam o que fizerem! Todo este ambiente quase divinal torna-se doentio para alguém como eu. Para mim, que à semelhança de Fernando Pessoa no seu “Poema em Linha Recta”, denoto que ninguém parece descortês, ninguém parece mal, ninguém, exceto a minha pessoa. Parece que todos eles estão formatados, apresentam-se como manequins engravatados, penso que a única diferença está mesmo no que têm dentro da cabeça, enquanto os manequins possuem o material de que são feitos, estes senhores não contém nada!
Aquando da primeira impressão todos sugerem cultura, gostos ecléticos, pessoas realmente educadas, porém numa segunda abordagem denotamos a sua verdadeira essência e aí é que surge a minha revolta. Agem como o pináculo da doutrina social, no entanto são a pior escória que caminha pelas ruas, pois apesar de se assumirem como pessoas corretas e decentes, são, simplesmente, politicamente corretos. Espalham simpatia a pessoas que já torturaram milhares de vezes nas suas mentes, levantam o dedo mindinho em sinal de elegância, mas cospem no prato que os serviu pela primeira vez. Por estes comportamentos hipócritas e vazios, para mim, as pessoas são como as laranjas: bonitas, brilhantes e apetecíveis, no entanto quando se espreme o seu conteúdo pouco ou nenhum sumo dão. Tudo depende da árvore de que provém, caso esta seja forte, pode se ter a certeza que mesmo em ano de más colheitas, tudo o que dali for colhido, será de sucesso. Porém, se a árvore não tiver raízes bem assentes na terra e procurar a água de que precisa, nunca terá laranjas tão apetecíveis como o da laranjeira anteriormente referida. Claro está que ninguém escolhe a árvore de que provém, mas podemos sempre lançar as nossas sementes e cultivar-nos de forma e criar uma nova laranjeira de bom fruto!
Com tudo isto quero louvar todas as pessoas que em algum sentido pareceram ridículas, que fugiram aos padrões da sociedade principesca em que vivemos. À “gente” que prefere: praticar algo bom, ao parecer bem; conhecer outros mundos a outras estilistas; estender o seu intelecto, à sua conta bancária; agitar os seus cabelos e corpos ao som da música popular com sabor a sardinha, do que caviar e cocktail; e que, por fim, não pretendem ser Deuses ou divas, mas sim ter uma vida divinal!
Sejamos todos um pouco vis e ridículos, um pouco mais felizes!

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